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Filosofia Ser InComum: um convite para recordar quem sempre fomos

Vivemos em uma época de excesso de informações e escassez de presença.

Aprendemos a acumular conhecimentos, títulos, técnicas e respostas. Mas, paradoxalmente, muitas vezes nos sentimos cada vez mais distantes de nós mesmos.

A Filosofia Ser InComum nasce justamente dessa constatação.

Ela não propõe acrescentar algo ao ser humano, mas retirar aquilo que obscurece sua natureza essencial. Seu propósito é favorecer um processo de recordação, permitindo que cada pessoa reconheça aquilo que sempre esteve presente em si.

O que significa ser InComum?

Inspirada na frase de Voltaire — “Entendo e quase invejo a gentil e inocente alegria dos comuns, mas amo a angústia de ser incomum” —, a filosofia atribui um novo significado à palavra “InComum”.

Ser representa a essência, o Self, o Eu Maior, a natureza profunda do ser humano.

In remete ao interior, ao inconsciente, à integração e ao movimento para dentro.

Comum não significa banalidade, mas comunhão, compaixão, unidade e comunicação com a Vida e com o Todo.

Ser InComum, portanto, é permitir que a essência emerja por trás das imagens, crenças e condicionamentos que construímos ao longo da vida.

A amnésia espiritual

Segundo a Filosofia Ser InComum, grande parte do sofrimento humano nasce de uma condição chamada amnésia espiritual.

Não se trata da perda da memória comum, mas do esquecimento da própria natureza.

Ao longo da existência, acumulamos conceitos, medos, identificações e narrativas sobre quem somos. Essas camadas passam a encobrir nossa identidade essencial, fazendo com que nos reconheçamos apenas pelas circunstâncias, pelos papéis sociais ou pelas experiências vividas.

Por isso, o caminho proposto não é o de criar um novo “eu”, mas de permitir que aquilo que sempre esteve presente volte a ser percebido.

A experiência vem antes da crença

Um dos pilares centrais da filosofia é a valorização da experiência direta.

Em vez de solicitar que alguém aceite determinadas ideias como verdade, o método convida cada participante a investigar por si mesmo.

Como sintetiza Samuel Sagan, referência citada na base conceitual do método, o importante não é aquilo em que se acredita, mas aquilo que se percebe diretamente pela própria experiência.

Por essa razão, a Filosofia Ser InComum não se apresenta como um conjunto de dogmas.

Ela propõe uma jornada de investigação, percepção e consciência.

Ciência e espiritualidade caminhando juntas

Outro aspecto que caracteriza o Ser InComum é a integração entre diferentes campos do conhecimento.

A filosofia compreende que ciência e espiritualidade não são forças opostas, mas caminhos complementares para compreender a realidade humana.

Sua base está na Consciência de Ser, utilizando ambas como instrumentos de investigação da experiência humana, sem vincular-se a religiões, seitas ou sistemas fechados de crenças.

Essa integração busca ampliar a percepção sem abandonar o discernimento.

Uma filosofia medicinal

O Ser InComum define-se como uma filosofia medicinal.

Nesse contexto, “medicinal” não se refere apenas ao tratamento da doença, mas à promoção de um movimento interno de reorganização da consciência.

Seu objetivo é favorecer autoconhecimento profundo, autoconsciência, autotransformação e autocura, permitindo que cada pessoa reconheça os recursos já presentes em si.

A cura, nessa perspectiva, não é algo que vem de fora.

Ela nasce quando o ser humano restabelece contato com sua própria essência.

O fim da separatividade

Outro fundamento importante da filosofia é a compreensão de que a separação é uma construção da percepção.

O método considera que a sensação de isolamento em relação à vida, às pessoas e a si mesmo alimenta o sofrimento humano.

Por isso, propõe movimentos de IntroVisão que favorecem a integração entre corpo, consciência, relações e espiritualidade, compreendendo Espírito e Matéria como expressões inseparáveis da mesma realidade.

Esse movimento é chamado de desimaginação: um processo de reconhecer e dissolver as imagens que obscurecem a experiência direta do Ser.

Para quem é o Ser InComum?

A Filosofia Ser InComum não foi concebida para um grupo específico.

Ela se destina a toda pessoa que sente o chamado para investigar a própria consciência.

Profissionais da saúde, terapeutas, pesquisadores, educadores, médiuns, livres pensadores ou qualquer ser humano disposto a aprender encontram nesse caminho um convite comum: desenvolver uma percepção mais ampla sobre si, sobre a vida e sobre suas relações.

O principal requisito não é possuir conhecimento prévio.

É cultivar abertura para a experiência.

Um caminho de recordação

Mais do que oferecer respostas prontas, a Filosofia Ser InComum propõe uma pergunta permanente:

Quem permanece quando todas as imagens sobre nós deixam de ocupar o centro da nossa percepção?

Talvez essa seja a essência de seu convite.

Não acrescentar uma nova identidade.

Não substituir uma crença por outra.

Mas recordar, pouco a pouco, aquilo que nunca deixou de existir.

Porque, segundo a própria filosofia, o processo de transformação começa quando deixamos de buscar fora aquilo que sempre esteve vivo dentro de nós.