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É TEMPO DE SER TEMPLO: PARA UMA ESPIRITUALIDADE CORPORIFICADA

Katiucia Garcia Vilela

RESUMO

Este artigo examina o simbolismo do corpo como templo sob a perspectiva da Ciência da Religião, articulando sua presença em diferentes tradições espirituais e discutindo suas implicações para a compreensão da espiritualidade, saúde e consciência na contemporaneidade. Parte-se da hipótese de que a metáfora do corpo-templo expressa, transversalmente, a sacralidade da corporeidade em distintas cosmovisões religiosas, servindo como ponte entre práticas devocionais, experiências místicas e novos paradigmas de cuidado integral. A análise apoia-se em abordagem hermenêutica-simbólica e comparativa, revisitando fontes do Cristianismo primitivo, tradições orientais e saberes holísticos, para elucidar como o corpo é concebido não somente como estrutura biológica, mas como lugar de manifestação do sagrado. A partir desse percurso, discute-se o potencial dessa perspectiva para questionar o modelo biomédico mecanicista e abrir caminhos de diálogo entre ciência e espiritualidade. Por fim, argumenta-se que recuperar a noção de corpo como templo contribui para reintegrar a dimensão espiritual na experiência humana, oferecendo fundamentos simbólicos que ressoam na busca atual por saúde integral e autotranscendência.

Palavras-chave: Corpo-templo; Simbolismo religioso; Espiritualidade.

This article explores the symbolism of the body as a temple from the perspective of Religious Studies, highlighting its presence across different spiritual traditions and discussing its implications for understanding spirituality, health, and consciousness today. It hypothesizes that the temple-body metaphor expresses, transversally, the sacredness of corporeality in various religious worldviews, bridging devotional practices, mystical experiences, and emerging paradigms of holistic care. The analysis employs a hermeneutic-symbolic and comparative approach, revisiting sources from early Christianity, Eastern traditions, and holistic knowledge systems to demonstrate how the body is perceived not merely as a biological structure but as a locus of sacred manifestation. Building on this framework, the article examines how this perspective challenges the mechanistic biomedical model and fosters dialogue between science and spirituality. Finally, it argues that reclaiming the notion of the body as a temple helps reintegrate the spiritual dimension into human experience, providing symbolic foundations that resonate with the contemporary quest for integral health and self-transcendence.

Keywords: Body-temple; Religious symbolism; Spirituality.

INTRODUÇÃO

O presente estudo explora a relação simbólica e metafísica entre o corpo humano e o sagrado, tomando por eixo central a metáfora religiosa do corpo como templo. Essa imagem, presente em diversas tradições espirituais, sugere que o corpo pode ser compreendido como morada do divino ou do transcendente. Ao delimitar o escopo temático nesse conceito, destacamos como o simbolismo do “corpo-templo” aparece, por exemplo, no Cristianismo primitivo (na conhecida máxima paulina de que “o vosso corpo é templo do Espírito Santo”) e em tradições orientais e indígenas que atribuem caráter sagrado à corporeidade. A intenção é examinar as implicações desse conceito para a experiência espiritual, esclarecendo de que modo a sacralização do corpo informa práticas religiosas e perspectivas sobre saúde e consciência.

Do ponto de vista epistemológico, a pesquisa situa-se no campo das Ciências da Religião com uma abordagem hermenêutico-simbólica e comparativa. Em termos metodológicos, isso significa que o corpo como templo será analisado enquanto símbolo religioso, valendo-se da hermenêutica para interpretar seus significados em textos e práticas, e da comparação para evidenciar semelhanças e contrastes entre diferentes contextos culturais.

Tal perspectiva interpretativa permite desvendar como distintas tradições ressignificam a relação entre o físico e o divino, bem como compreender os sentidos atribuídos à experiência do sagrado no próprio corpo (fenomenologia da experiência religiosa). Desse modo, o artigo articula referências simbólicas e fenomenológicas, evitando reducionismo e explicitando os pressupostos teóricos que orientam a análise.

Além de sua relevância histórica, a escolha dessa temática mostra-se especialmente pertinente no contexto contemporâneo. Nas últimas décadas, discute-se uma crise de paradigmas no modelo cartesiano-biomédico, abrindo espaço para abordagens de saúde integrativas que reincluem dimensões mentais e espirituais no cuidado terapêutico.

Em paralelo, o diálogo entre ciência e religião vem se intensificando – seja em pesquisas sobre os efeitos da espiritualidade, da fé e da meditação na saúde humana, seja no interesse acadêmico pelos fenômenos da consciência e pelas experiências místico-religiosas. Esses movimentos indicam que noções outrora restritas ao discurso teológico, como a ideia de sacralidade do corpo, ganham nova atualidade interdisciplinar, estimulando um fecundo encontro entre saberes científicos e perspectivas espirituais.

Ademais, observa-se o crescimento de espiritualidades não institucionais na sociedade contemporânea. Muitos indivíduos — especialmente entre as gerações mais jovens — agora se identificam como “espirituais, mas não religiosos”, buscando significado e transcendência fora das religiões. Práticas como ioga, meditação e diversas terapias holísticas, que enfatizam a integração entre corpo, mente e espírito, tornaram-se comuns na busca por bem-estar e realização pessoal. Nesse cenário, retomar a metáfora do corpo como templo oferece uma chave interpretativa relevante: ela vincula o cuidado de si e da saúde corporal a uma dimensão sagrada, sugerindo que o corpo — longe de ser um mero objeto biológico — pode ser entendido como santuário vivo do transcendente. Tal perspectiva dialoga diretamente com a busca contemporânea por sentido e com os esforços de superar dicotomias entre material e espiritual, apontando para uma visão integrada do ser humano.

  1. INTRODUÇÃO

“O Desconhecido não é Incognocível… Não só em sua única e final concepção, mas também na grande linha de seus resultados gerais, o Conhecimento, qualquer que seja o caminho percorrido, tende a tornar-se um só.” Sri Aurobindo

Atualmente vivemos um modelo de medicina no qual a doença é o foco. Ao nos defrontarmos com um estado mórbido, buscamos, imediatamente, uma química que traga supressão da dor. Dessa forma, mascaramos o problema real, vez que acreditamos que a dor, por ser incômoda, deve ser eliminada, sem analisarmos a fonte, a origem do que se passa em nosso corpo, em nossas dimensões invisíveis e, em nossa mente. Esse comportamento decorre da crença de que somos máquinas e precisamos consertar as peças estragadas. A partir desse raciocínio, olvidamos que somos seres espirituais interdependentes, sendo que a dor traz um alerta de algo que precisa ser compreendido em sua origem não física.

Assim, observou-se uma ruptura entre a criatura e o Criador. Com o advento do mecanicismo, desaparece a contemplação ao ambiente, à natureza, associados à maioria dos pensadores das épocas anteriores, de Platão aos filósofos do Renascimento. A aliança é rompida em nome da dominação. Dessa forma, olvida-se a concepção metafísica e assume-se uma concepção mecanicista.

De suma importância desmistificar essa ideia de que somos autômatos, ou ‘coisas que pensam’, para tanto precisamos trazer a visão do direito natural, pois possuímos direitos ínsitos como, por exemplo, o direito à ‘saúde integral’, que, segundo a Organização Mundial da Saúde, é um estado de bem-estar físico, emocional e social e não tão somente, a ausência de doenças.

Urgente se faz transcender ao conceito de saúde mecanicista. Impositivo nos libertarmos da hipnose de que somos ‘uma coisa que pensa’, precisamos voltar às origens ensinadas por Hipócrates, na qual os desequilíbrios que o homem desencadeia estão diretamente ligados à separação do ‘homem do todo’ conforme o direito natural.

Um dos principais fatores que deflagraram o caos vivenciado na atualidade, na saúde pública, especialmente, se deve ao fato de acreditarmos que somos máquinas, destituídas da Consciência Criadora, e então, necessário se faz sair da ‘caverna’, da escuridão dos sentidos, e acolhermos a concepção integralista (holística) de saúde, que compreende que somos espíritos revestidos de muitas cascas, do físico, do emocional, mental, e conectados com o todo que nos cerca, somente a busca das causas dos desequilíbrios e o reequilíbrio do todo poderá devolver a ordem, acolhendo a visão metafísica a qual, está diretamente ligada a medicina tradicional (holística/ integralista/ hipocrática), conforme termo usado pela Organização Mundial de Saúde — OMS.

Ainda, denota-se que a ciência caminha para uma espiritualização, tendo em vista a providencial curiosidade sobre o que é a matéria.

O doutor em física teórica da Universidade de Viena, FRITJOF CAPRA, em ‘O Ponto de Mutação’, expõe interessante síntese, mediante uma retrospectiva filosófica, sobre a implantação da visão mecanicista do mundo e do ser humano, verbis:

“Antes de 1500, a visão do mundo dominante na Europa, assim como na maioria das outras civilizações, era orgânica as pessoas viviam em comunidades pequenas e coesas, e vivenciavam a natureza em termos de relação orgânicas, caracterizadas pela interdependência dos fenômenos espirituais e materiais e pela subordinação das necessidades individuais às da comunidade. A estrutura cientifica dessa visão de mundo orgânica assentava em duas autoridades: Aristóteles e a Igreja. No século XIII, Tomás de Aquino combinou o abrangente sistema da natureza de Aristóteles com a teologia e a ética cristã e, assim fazendo, estabeleceu a estrutura conceitual que permaneceu inconteste durante toda a Idade Média”[1]

Nossa intenção é desvelar Olhos que Veem, além da matéria na matéria. Voltarmos a sentir que existe uma Medicina Dentro, que somos detentores de uma Tecnologia Interior, que podemos rotular como divina, que se fez biologia, bem como, somos influenciadores diretos desta Substância que nos compõe, inclusive biologicamente.

Talvez, estejamos sendo chamados a protagonizar, no corpo, a partir da perspectiva espiritual, de olhos de dentro, de uma introvisão, uma nova biologia, que se forma conforme à qualificamos.

  1. O PONTO DE MUTAÇÃO e o Ponto de TransMutação: “Vós Sois Deuses”.

Portanto, de fácil percepção que o mundo sofreu um rompimento, um ponto de mutação, em sua história, sendo que esta mutação influenciou e influencia nossa concepção do outro e do planeta, a revolução científica operada no século XVI, foi de suma importância no sentido da compreensão do nosso insignificante papel na Obra Divina, no Cosmos, no entanto, como efeito colateral, fez com que, confortavelmente, deixássemos de nos preocupar com nosso papel perante o ambiente que nos envolve e sustenta, pois olvidamos a condição de fios integrantes de uma enorme teia da vida.

Essencial resgatarmos A Medicina, que somos, como participantes de um Organismo Maior, A Medicina que se recolheu em nosso Íntimo, que se fez imanência, por ausência de Olhos que Veem.

Samuel Hahnemann, o pai da homeopatia, considerou que tanto a enfermidade quanto à saúde tem sua origem primacial na mente, nas emoções, nos sentimentos e em todas as sensações da criatura, na totalidade vivo, corpo e alma. A seu ver, as manifestações físicas são a parte mais grosseira ou mais densa do corpo humano. Daí, pois, haver consagrado a lei (de Hering) que tanto a saúde como a doença vêm de DENTRO PARA FORA E DE CIMA PARA BAIXO, OU SEJA, do invisível para o visível, ou com a sua germinação no alto, sendo a mente, e no centro que é o sentimento da criatura humana, segundo a perspectiva espiritual (Ramatís, Mediunidade de Cura, 12ª. Edição, Editora do Conhecimento).

Impossível erradicar a doença pelos métodos materialistas, pois sua origem não é material. EDWARD BACH, elucida que a doença é um efeito, é o ‘produto final’ de forças profundas desde há muito em atividade e, ainda que o tratamento material aparentemente tenha êxito, ele não passa de um paliativo, a menos que a causa real haja sido transformada.

Somente retomando essa luz ‘inextinguível’ podemos sair da escuridão dos sentidos, recordando que nossa essência é sublime que o vazio da existência somente pode ser preenchido quando despertarmos para nosso real valor e o da natureza que nos sustenta, bem como, o valor de todos os seres direta e indiretamente ligados a nós. Esse é o caminho que deve ser trilhado por aqueles que decidem ir ao encontro da ‘cura integral’, pois o mundo não necessita de uma nova religião ou filosofia, mas sim de cura espiritual (Joel Goldsmith), no entanto, o modelo de medicina mecânico que nos oferecem não possui instrumentos capazes de auxiliar nesse encontro e preenchimento existencial.

Assim, todas as partes do ser humano são afetadas pela influência da mente, a qual atua fortemente através dos vários sistemas orgânicos, como o nervoso, o linfático, o endocrínico ou circulatório. As recentes pesquisas médicas, sob a orientação da medicina psicossomática, confirmam que o psiquismo altera profundamente a composição e o funcionamento dos órgãos físicos.

O corpo físico pode ser afetado pela mente não material, ‘pensamentos, a energia da mente, influenciam diretamente a maneira como o cérebro físico controla a fisiologia do corpo’, sendo que a energia dos pensamentos possa ativar ou inibir as proteínas de funcionamento das células, podendo influenciar mais diretamente ou com mais facilidade a matéria do que agentes químicos (BRUCE LIPTON, A Biologia da Crença).

Fritjof Capra menciona que a estratégia de Galileu de dirigir a atenção dos cientistas para as propriedades quantificáveis da matéria foi extremamente bem sucedida em toda a ciência moderna, mas também exigiu um pesado ônus, como nos recorda enfaticamente o psiquiatra R. D. Laing: ‘Perderam-se a visão, o som, o gosto, o tato e o olfato, e com eles foram-se também a sensibilidade estética e ética, os valores, a qualidade, a forma; todos os sentimentos, motivos, intenções, a alma, a consciência, o espírito. A experiência como tal foi expulsa do domínio cientifico’. (Capra, idem)

Segundo LAING, nada mudou mais o nosso mundo nos últimos quatrocentos anos do que a obsessão dos cientistas pela medição e pela quantificação. As descobertas efetivadas a partir dos séculos XVI e XVII, trouxeram grande evolução para a ciência médica, entretanto, a situação deixou o caminho do meio, ensinado pelos orientais, deflagrando uma soberba incontrolável por parte daqueles que se identificaram com o modelo de vida apresentado pelos mecanicistas, esse deslumbre gerou inúmeras consequências, pois passamos a nos tornar gradativamente mais doentes, pois nos isolamos do Todo, e decidimos que essa solidão fugidia preencheria um vazio inconfessável d’alma.

Assim, vivenciamos um momento em que urgente se faz a busca efetiva pelo preenchimento do vazio espiritual que nos acomete, tendo em vista a visão de mundo mecanicista, em que transformou o Homem em uma ‘coisa que pensa’, olvidando o Ser Espiritual que necessita, para a reconquista da saúde integral, voltar a sentir a Voz que clama em seu Íntimo ‘gritando’ que uma transformação na maneira de agir e pensar é inevitável.

André Luiz, no livro ‘Entre a Terra e o Céu’, durante uma elucidação de Clarencio, antecipa temas científicos essenciais:

“a corrente de força devidamente dinamizada no passe magnético arrancá-lo-á da sombra anestesiante da amnésia. Poderemos, então, sondar-lhe o íntimo com mais segurança. Assistido por nossos recursos, a memória dele regredirá no tempo, informando-nos quanto à causa que o retém junto da neta, aclarando-nos, ainda, sobre prováveis ligações que nos conduzirão à chave do socorro, a benefício dele mesmo…”. 25ª. Ed, p. 104.

E continua sua libertadora explanação:

”…a memória pode ser comparada a placa sensível que, ao influxo da luz, guarda para sempre as imagens recolhidas pelo espírito, no curso de seus inumeráveis aprendizados, dentro da vida. Cada existência de nossa alma, em determinada expressão da forma, é uma adição de experiência, conservada em prodigioso arquivo de imagens que, em se superpondo uma as outras, jamais de confundem” idem.

No contexto, elucida-se a necessidade de acesso e entendimento dessas memórias impressas como “traumáticas”, como um “processo cirúrgico”, para a assistência integral a todos os envolvidos, assim:

”Em obras de assistência, qual a que desejamos movimentar, é preciso recorrer aos arquivos mentais, de modo a produzir certos tipos de vibração, não só para atrair a presença de companheiros ligados ao irmão sofredor que nos propomos socorrer, como também para descerrar escaninhos da mente, nas fibras recônditas em que ela detém as suas aflições e feridas invisíveis” p. 105.

Portanto, imprescindível, que haja o entendimento dos escaninhos da mente para abrilhantar o “futuro”, segundo os ensinamentos de que somos um Todo Integral, carregamos todas as nossas obras, vivências de outrora em uma caixa intransferível e, somos responsáveis por transcendê-las, eis a Ascese Mística:

…A mente, tanto quanto o corpo físico, pode e deve sofrer intervenções para reequilibrar-se. Mais tarde, a ciência humana evolverá em cirurgia psíquica, tanto quanto hoje vai avançando em técnica operatória, com vistas às necessidades do veículo de matéria carnal. No grande futuro, o médico terrestre desentranhará um labirinto mental, com a mesma facilidade com que atualmente extrai um apêndice condenado… o médico do porvir, para sanar as desarmonias do espírito, precisará mobilizar o remédio salutar da compreensão e do amor, retirando-o do próprio coração…’. ob. cit. p 105. 

Observa-se que nossas percepções são responsáveis por processos de imenso desequilíbrio atual, interferindo neste espaço/tempo, dificultando a caminhada evolutiva, pois estagnamos na sintonia vibracional do medo, pânico, descrença, desesperança, culpa, incapacidade, especialmente, de autocura, desta forma, o revisitar estes lugares impressos em nosso microcosmos, impresso no corpo, nos conscientiza da retroalimentação de um padrão repetido há milênios, hipnoticamente, inconscientemente, por inúmeras eras e gerações, permitindo a instalação de um novo olhar, gerando ascese consciencial, alterando a sintonia vibracional, permitindo ‘olhos de ver’ e ‘ouvidos de ouvir’ a Voz inaudível de Deus em nosso Templo.

Conforme a Ética divulgada por Jung, o inconsciente é consciente e quando afinamos nossa percepção, é possível o irromper de novas perspectivas e caminhos, pois tudo já está pronto, somos o TODO e o Todo está em nós, em imanência, aguardando reconhecimento e conscientização de sua presença em Luz.

  1. Uma viagem no corpo: quem somos nós?

Todo pensamento que você tem é uma molécula de energia que influência o seu corpo. Dr. Deepak Chopra

Sim, isso pode nos qualificar como deuses, corporificados, então, quem somos nós? Parafraseando este investigador da ciência espiritual, somos ‘Poderes do Céu em Corpos na Terra’. Gregg Braden, O Mistério por trás de nossas origens.

Somos uma tecnologia espiritual encoberta, conforme nos revela esta passagem escrita pelo brilhante Dr. Paulo Cesar Fructuoso, relatando os olhos de quem vê Além do aparente:

“Mas como você consegue visualizar o interior do corpo e como distingue uma célula cancerosa de outra normal?  – Eu vejo no interior dos corpos humanos como se eles não possuíssem pele. Com minha visão microscópica, distingo nitidamente uma célula enferma pelo seu padrão vibratório e coloração diferente, entre outras características.” Paulo Cesar Fructuoso, A Face Oculta da Medicina, p. 215.

Aqui, como livres pensadores, cientistas e aprendizes da arte de curar pelo espírito, vale a reflexão, de que nosso senso perceptivo passou por um atrofiamento, ousamos arriscar que este atrofiamento se fez tendo em vista nosso autoconceito, quando passamos corporificar o sentir que somos pedaços de carne, máquinas desprovidas da Consciência de Ser, passamos a vibrar em consonância com esta premissa, gerando um recolhimento de nossa Natureza e tecnologia suprassensível.

Conhece-te a ti mesmo, trata-se de uma convocação espiritual. O autoconhecimento exige um ponto a mais, exige um mergulho no mistério da própria vida física, de nossa fisiologia.

Estamos vivenciando um resgate, um resgate científico, uma revisão ética, que envolve diretamente nossa autoconcepção e autoimagem. Talvez estejamos sendo convocados a um processo de desinformar e desimaginar o que se imprimiu biologicamente e encobriu quem somos nós.

Eu disse à amendoeira: “Irmã, fala-me de Deus e a amendoeira floriu.” São Francisco de Assis.

Esta poética e inspiradora frase acima, foi citada por LeShan (O Médium, O Místico e o Físico: Por uma teoria geral da paranormalidade, Summus Editorial, 1994, p. 104), e em continuação menciona que os curadores devolvem o real significado à Totalidade e à Sacralidade. Ao descrever sua técnica de cura, Ambrose e Olga Worrall escreveram o seguinte: ´Na verdadeira oração, o pensamento é a percepção de que fazemos parte do Universo Divino´ (idem), ainda Lawrence LeShan:

Além disso, há uma comunicação muito séria de Alexis Carrel, que, com o auxílio de uma lente, observou um tumor cancerígeno regredir no decorrer de uma ´cura milagrosa´, deixando o órgão afetado perfeitamente limpo”. Carrel, observador confiável e experimentado, relatou que o câncer seguiu o rumo que habitualmente toma no progresso de regressão, que inclui etapas específicas como a formação das fibras do tecido das cicatrizes, mudanças na distribuição sanquínea etc.. Esse câncer, disse Carrel, seguiu essa mesma progressão, mas com rapidez muitíssimo maior do que ele jamais vira (idem).

Se faz óbvio, eis o desafio, que estamos afetando diretamente nossa biologia, assim, imperioso questionar como afetá-la positivamente, ou, ainda, como deixar de afetá-la, para o que somos emergir e prevalecer, e, assim, confirmar a máxima evangélica; “Brilhe Vossa Luz entre os Homens”!?

Continua LeShan,

“comecei a enxergar uma luz em relação à possibilidade de explicar as mudanças biológicas… Podemos desenvolver, enfim, qualquer capacidade. Uma delas é a capacidade de autocura, de autorecuperação. Também nisso costumamos operar muito abaixo do nosso potencial. O que parecia acontecer no tipo 1 de cura era que, pelo fato o paciente se encontrar momentaneamente num ´estado organísmisco ideal´, seus sistemas de autorrenovação e de autorrecuperação começavam a operar num nível mais próximo do seu pleno potencia”l. (idem)

Isso nos incita a revisitarmos a arte da oração como medicina. Pois, se, ao alcançarmos um estado elevado de consciência, deflagramos um estado biológico hígido, saudável, precisamos reaprender como orar, para suportar este Estado Consciencial no corpo, e então, qual o estado interno, consciencial, permite esta invocação da higidez?. De onde vem a cura? Talvez ela seja o Natural, no entanto, como somos participantes diretos, estamos influindo e interferindo para que ela não prevaleça, devido à concorrência energética contraditória, que, segundo o nosso ponto de vista, provém de nossa autoconcepção e autoimagem.

Conclui LeShan, a cura mediúnica de tipo 1 não consistia em ´fazer algo´ para o paciente, mas num encontro e numa profunda união com ele, união que permitia que algo acontecesse. Assim, a idéia que está por trás do comentário de Shaw sobre a ausência de pernas de pau em Lourdes é que o crescimento de uma perna amputada é algo que está além dos sistemas de autorrecuperação do corpo. No entanto, o mesmo não ocorre com a remissão de um câncer. (ob. Cit. P. 105)  

Assim, somos aqueles que contêm Deus.

Átomos e vazio: “Por convenção, existe o quente, por convenção existe o frio, por convenção existe a cor, o doce e o amargo; segundo a verdade, existe somente o que é indivisível (átomos) e o vazio.” Demócrito, por Hernani Guimarães Andrade, Psi Quântico: uma extensão dos conceitos quânticos e atômicos à ideia do Espírito.

Com o atuar mais profícuo da espiritualidade como ciência, nos foi permitido o desvelar de inúmeros véus, mas também, nos rendemos, novamente, à perspectiva separatista, portanto, sendo, neste instante, conclamados a não mais servirmos a dois senhores.

Segundo a ciência espiritual, e aqui citamos a professada pela antroposofia,

“esse é um tema em relação ao qual se torna necessário, absolutamente necessário (se quisermos chegar a uma observação real e verdadeira) algo que, na observação científica, é comumente deixado de lado. Frente a este tema é necessário venerar a essência humana, isto é, não a essência de cada homem – principalmente quando essa pessoa singular somos nós -, mas a essência do homem em geral.”

Rudolf Steiner, Fisiologia Oculta: aspectos suprassensíveis do organismo humano: elementos para uma medicina ampliada, p. 13, 2ª. Edição.

Eis a perspectiva da ciência espiritual, em que inexistente a separatividade, em que o Espírito é Matéria.

Carl Gustav Jung traz que se faz emergencial a cura da divisão, mencionando que devido à mentalidade científica, nosso mundo se desumanizou. O homem está se sentindo isolado no cosmos. Já não está envolvido na natureza e perdeu sua participação emocional nos acontecimentos naturais que até então tinham um sentido simbólico para ele. Como é necessário que toda transformação tenha início num determinado tempo e lugar, será o indivíduo singular que o fará e a levará a término. Espiritualidade e Transcendência, p. 106, Editora Vozes, 2015.

Partimos da premissa de que ‘O Alicerce de todas as construções é a Consciência’. Neville Goddard

A ciência espiritual afirma que esse Ser Único e Consciente está envolto aqui na Matéria. Talvez precisemos levar mais a sério e literalmente a senha evangélica “Vós sois Imagem e Semelhança de Deus”.

Assim, Rudolf Steiner elucida:

“Como podemos cultivar a verdadeira veneração diante disso? Em primeiro lugar, deixando de ver a pessoa, como ela se nos apresenta no dia a dia e elevando-nos à seguinte concepção: a pessoa, com toda a sua evolução, não está aí por sua própria causa, mas para revelar o espírito, todo o mundo divino-espiritual; ela é uma revelação da divindade cósmica, do Espírito Universal. E quem reconhece que tudo o que nos cerca é uma expressão das forças divino-espirituais também pode sentir essa veneração não apenas em relação ao próprio divino-espiritual, mas também diante da manifestação do Espírito Universal por meio do homem.” Ob.cit. p. 14

Portanto, se faz interessante revisitarmos aqui o sentido de evolução. Assim, parafraseando Sri Aurobindo, em a Vida Divina, p. 27:

“falamos aqui da evolução da Vida na Matéria, da evolução da Mente na Matéria; mas evolução é uma palavra que só constata o fenômeno, sem explicá-lo. Pois, aparentemente, não há razão pela qual a Vida deveria evoluir a partir de elementos materiais ou a Mente evoluir a partir de formas vivas, a menos que aceitemos a solução vedântica de que a Vida existe já, involuída, na Matéria e a Mente existe, involuída, na Vida, porque em essência Matéria é uma forma de vida velada, Vida é uma forma de Consciência velada.

Portanto, a evolução é o método pelo qual ele se liberta; a consciência se manifesta no que parece ser inconsciente, e uma vez que se manifesta, ela é autoimpelida a crescer cada vez mais e ao mesmo tempo a crescer e a se desenvolver em direção a uma perfeição cada vez maior. Assim o homem é um laboratório vivo, que com a colaboração consciente, vem manifestar Deus, em corpo e Matéria, pois a evolução é a manifestação progressiva pela Natureza daquilo, que, involuído, nela dormia ou trabalhava, é também a realização manifesta daquilo que a Natureza secretamente é.

Partimos da premissa que o Espírito está, involuído, ou encoberto, na Matéria, e a Natureza aparente é Deus secreto, então manifestar o divino em si mesmo e realizar Deus interna e externamente são os mais altos e mais legítimos objetivos possíveis ao ser humano sobre a terra. (sic)

Enquanto não tivermos clareza sobre nossa Natureza, nada mudará, continuará na ilusão da melhora! Assim, vale ressaltar a sabedoria dos curandeiros: “O importante é o que você vê com os olhos fechados”, Lame Deer (Larry Dossey, Reencontro com a Alma, Cultrix, p. 29)

Assim, lançamos esta perspectiva, responsavelmente, de que o corpo, como um guardião biológico de memórias, sob a ótica dos campos mórficos, possui o funcional propósito de revelar o Espírito na dimensão da existência material, através da Consciência de Ser.

Em nós, existem dimensões imateriais, invisíveis, conversando diretamente com a matéria, em plena interconexão, eis a explicação razoável para a neuroplasticidade, por exemplo. Portanto, podemos admitir uma psicobioplasticidade. O quanto, através da imaginação, podemos modificar a biologia? O quanto a imaginação não perceptiva, inconsciente, está afetando agora, neste instante, nosso corpo, deflagrando cura ou adoecimento? E se ensinássemos as crianças, nos bancos escolares, a utilizar sua tecnologia natural, imaginal, para curarem-se e curarem seus queridos. Como seria a humanidade se, simplesmente, aceitássemos que cada célula em nós guarda o poder criador? Que inexiste separação entre Matéria e Espírito.

Quanto mais o homem se eleva, mais Deus se revela no corpo, gerando um estado de sublimação biológica e uma Vida Divina na Terra, eis a alquimia de transformar a dor em amor.

Sob esta perspectiva podemos lançar a hipótese que o corpo fala e, principalmente, ouve o que falamos sobre ele, que o não-material afeta diretamente nossa biologia, entretanto, aqui nos dispomos a ir além, a considerar que guardamos toda a Fonte da Vida, em nosso cosmos fisiológico oculto, e quando, elevamos nosso sentir, revisitando nosso autoconceito e autoimagem corporificado, eis a arte da introvisão, abrimos espaço para a Luz Brilhar, irrompendo esta Força espiritual em corpo, transcendendo a biologia impressa, indo além do que parecemos ser.

            CONCLUSÃO

“O problema da cura, é um problema religioso.” Jung

Sim, há muito a ser percebido no Infinito Oculto em cada corpo, célula, átomo, para nos conscientizarmos de que `Eu e o Pai Somos Um`. Podemos nos conscientizar de que estamos vivenciando um ponto de transmutação, pois Olhos Bons estão em manifestação, e esta transição é um estado alterado de consciência que está percorrendo corpos e revelando a biologia divina, naqueles dispostos a reconhecer o infinito no finito.

Joel Goldsmith, em A Arte de Curar pelo Espírito, 1967, Editora A Nação S.A., p. 13, manifesta esta sacralidade:

“A presença do Infinito (Pai) em todas os Finitos é uma realidade matematicamente certa e absolutamente inegável, mas não é essa presença em si, objetiva, que produz a cura dos meus males; dentro desta presença divina eu posso ter câncer, lepra, tuberculoso, paralisia infantil; posso ser o maior dos pecadores e criminosos, posso ser infeliz e desesperado dentro da presença de Deus; posso ser Judas e Satanás na presença de Deus, porque não é essa presença objetiva que me dá saúde ou santidade. Mas, no momento em que eu conscientizar intensamente essa presença de Deus, no momento em que eu viver real e profundamente a verdade `O Pai está em mim, e eu estou  no Pai`, neste momento não posso estar doente, porque a pleniluz dessa consciência dissipa qualquer treva, por mais espessa que ela tenha sido.”

Assim, a crise que enfrentamos como indivíduos e sociedade é uma crise de pensamento. Como podemos abrir espaço para o novo mundo que está emergindo se estamos agarrados ao velho mundo do passado, aprisionados por ele? Greg Bradden, ob. cit.

Nestas breves e despretensiosas linhas, lançam um ensaio sob o fundamento da imanência de Deus e o seu irromper na matéria, pois inexiste separação. Este irromper podendo se manifestar mediante práticas simples, como oração, como meditação, imaginação ativa, frequências curativas, sentimentos elevados, benemerência, autoconhecimento, mas, principal e essencialmente, uma reversão da visão, sobre quem somos nós, possibilitando uma transcendência biológica, o que denominamos de espiritualidade e transcendência do corpo.

São diversas as práticas que propõe esta possibilidade que envolve a sutilização do corpo, como exemplo, temos a ciência oriental, milenar, especialmente, a ioga, uma filosofia antiga que propõe a participação direta do corpo nesta elevação de consciência.

“O Homem é o ponto de encontro do Universo e dos deuses. Esse é o motivo pelo qual as ciências tradicionais o chamam de ´Microcosmos´ (pequeno universo) e de ´Microtheos´ (pequeno deus). Ele é o ponto de partida de todas as vibrações, o foco de reflexão de todas as ressonâncias”.

Annick de Souzenelle, O Simbolismo do Corpo Humano.

Cito aqui o brilhantismo de Hernani Guimarães Andrade (Espírito, Perispírito e Alma: ensaio sobre o Modelo Organizador Biológico):

“O espirito (no sentido de substância) possuiria uma constituição quântica tetradimensional. Suas partículas constituintes teriam quatro dimensões. O núcleo do psiátomo compor-se-ia de perceptons e intelectons. As camadas tetradimensionais periféricas seriam preenchidas pelos ´bions´… Neste ponto cabe uma pequena digressão a respeito daquilo que devemos entender por subpartículas constituintes do átomo, seja ele físico, seja ele espiritual. Pode parecer, à primeira vista, que estamos encaminhando a questão do espírito para um terreno exclusivamente materialista, a ponto de deturpar a essência do vocábulo, tentando, assim, reduzir, tanto o espírito como a matéria, a um denominador comum. Na realidade, só aparentemente é que isto está ocorrendo. Desse modo cabe aqui apenas um pequeno reparo. Não somos nós que estamos reduzindo o espírito aos estreitos limites da matéria. O que se passa é justamente o contrário, pois a Física sutilizou de tal forma a conceituação de matéria, que esta atingiu as fronteiras do domínio do espírito”. g.n. P. 77

Aqui, comungamos do ponto de vista, da consciência unitiva, ou seja, Espírito é Matéria. Portanto, nossa biologia é mensageira da memória e do divino que precisa ser revelado, e esta memória reflete um campo de atemporalidade, corporificado. Podemos acatar como um ensaio desta perspectiva as pesquisas sobre a epignética e cura espiritual (Paul Pearsall, Ph.D., Memória das Células, A Arte de Fazer Milagres, Michael Talbot, O Universo Holográfico, O Campo, Lynne McTaggart, A Ciência da Prática Espiritual, Uma Nova Ciência da Vida, Rupert Sheldrake, Joe Dispensa, Você é o Placebo, Gregg Braden, O Mistério por trás das nossas origens, Jorge Andrea dos Santos, Busca do Campo Espiritual pela Ciência, como exemplos).

Temos, também, diversos pesquisadores que trazem a ciência metafísica como fundamento, como por exemplo, A Influência à Distância: curso prático de telepsiquia, a transmissão do pensamento e a sugestão mental, de Paul Jagot, editora pensamento, 9ª. Edição, 1993, que traduz o poder da mente sobre o corpo: “Assim, a irradiação telepsquíca, subsequência inevitável da atividade afetiva e cerebral, deve ser considerada como propriedade normal do espírito humano” (sic, p. 17).

Aqui, entre inúmeros autores, escolhemos citar um fragmento do livro A Biologia da Crença, alcançando a conclusão que deu título ao livro, “As Crenças Controlam a Biologia”, de Bruce Lipton:

“Como a mente consegue ser mais forte que a programação genética? Como a simples crença de Mason pôde afetar o resultado do tratamento? A nova biologia em algumas respostas para essas perguntas. Vimos no capítulo anterior que matéria e energia estão interligadas. A conclusão lógica é que mente (energia) e corpo (matéria) tem constituição semelhante, embora a medicina ocidental venha tentando tratar as duas separadamente há séculos.” P. 146

Em Evolução em Dois Mundos, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, ressalta que:

“Cabe-nos assinalar, desse modo, que, na essência, toda matéria é energia tornada visível e que toda energia, originariamente, é força divina de que nos apropriamos para interpor os nossos propósitos aos propósitos da Criação, cujas leis nos conservam e prestigiam o bem praticado, constrangendo-nos a transformar o mal de nossa autoria no bem que devemos realizar, porque o Bem de Todos é seu eterno Princípio.” P. 27

Nesta coletânea da ciência espiritual, continua sua elucidação ressaltando que o fluido cósmico ou plasma divino é a força em que todos vivemos, nos ângulos variados da Natureza, motivo pelo qual já se afirmou, que “em Deus nos movemos e existimos”. Idem.

Diante desta perspectiva, se faz lúcida a senha de consciência: Vós Sois Deuses. Somos feitos da mesma Substância, do mesmo fluido, sendo que podemos influir e modelá-la conforme nossa autoconcepção, ou seja, como nos qualificamos, talvez esteja aí concentrado o conceito de livre-arbítrio.

Segundo a perspectiva aqui mencionada, possível se faz parafrasear Deepak Chopra, na afirmação de que somos as únicas criaturas, na face da terra, capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos.

Costumamos recomendar a arte da introvisão, como uma tecnologia espiritual, como um modo de ver a partir de dentro e, assim, se faz necessário orarmos dentro, perdoarmos dentro, quando mencionamos dentro, é literal, no corpo, dentro dos órgãos, nas células, é, literalmente, desimaginar o que encobre a imanência de Deus, para podermos Brilhar nossa Luz entre os Homens.

Assim, diante destas considerações, Larry Dossey, clarifica-nos, ao mencionar que precisamos voltar a reconhecer uma Inteligência Imanente, suprema, que habita cada átomo em nosso corpo, em seu livre Reencontro com a Alma, este cientista, descreve inúmeras experiencias de cura à distância, acompanhadas objetivamente, através da arte da oração, e conclui que se faz necessário indagarmos:

            “Como devemos rezar? Se a consciência humana se estende além do corpo pela oração, e se queremos utilizar esta última para fazer as coisas acontecerem no mundo, qual a melhor maneira de orar? Existe um modo mais elevado? É possível submeter os vários métodos de oração e um teste objetivo?… Quando é certo rezar pela cura, e quando não? Nesse caso, não é preferível seguir uma prece não dirigida, confiando na Inteligência Universal superior para decidir qual a norma para uma necessidade específica? Especialmente em vista do fato de que a prece não dirigida é afinal a mais poderosa?…Quando percebermos nossa natureza não localizada, somos capazes de compreender a sabedoria da prece não dirigida – faz mais sentido rezar ´seja feita a vossa vontade´ do que ´seja feita a minha vontade´. ”. Larry Dossey, Reencontro com a Alma, p. 64-67.

Imperativo acatarmos a premissa de que uma pessoa não é uma coisa nem um processo, mas uma abertura, ou uma clareira, por onde o Absoluto pode se manifestar. Heidegger

Portanto, o que é mais necessário para ocorrer uma mudança no modelo de medicina adotado atualmente?

Cabe-nos refletir quais os poderes que obstaculizam a saída da caverna, porque ainda permitimos uma prestação de saúde incompleta, uma concepção retrógrada, sendo que temos tantas opções que podem somar ao existente, gerando desenvolvimento, bem estar e equilíbrio, por ilação, proporcionando economia ao Poder Público, especialmente, a erradicação do sofrimento.

‘Conclui-se que no futuro, a ciência será a religião mais contagiante, mais adotada e divulgada no mundo.  No entanto, para atingir essa condição, a medicina deverá migrar de somente curadora de corpos para um processo de humanização (espiritualização), não adotando crenças desta nem daquela vertente religiosa, mas elegendo o ser humano como foco maior, como alvo ou rebanho a ser abraçado pelos sacerdotes da vida’. Joseph Gleber, A Alma da Medicina.

Quando será que nos conscientizaremos que somos deuses?

Seguindo este raciocínio, cito Kazuo Murakami, em O Código Divino da Vida,

“O que fazer para ativar esses genes a  nosso favor? A resposta é simples: viver plenamente e ter sempre uma atitude positiva perante a vida. Acredito que atitudes positivas levam ao sucesso e ativem os genes responsáveis pela felicidade. Chamo a isso viver com os genes ativados, ou pensar genético.” P. 30, 2008, Editora ProLíbera, e continua:

 “O mais importante é desativar tantos genes nocivos quanto possível e ativar os benéficos, fazendo com que eles trabalhem a nosso favor. A chave para isso é, mais uma vez, o ´pensar genético´ e, por meio de minhas pesquisas e experiência, cheguei a conclusão de que é uma forma eficaz de influenciar seus genes a melhorar sua via”. P. 32

Isto nos coloca de volta no Jogo da Vida e nos eleva, de simples vítimas para protagonistas, reforça a grande necessidade de usar nossa tecnologia divina, espiritual, nossa Consciência para revelar corpos hígidos, descobrindo o homem invisível no visível, de transformar a carne em Verbo, partícula em Onda, e comungarmos de uma Vida Divina na Terra.

Talvez estejamos sendo chamados a conscientizar nossa deidade, com amor, a nos conceber como Templos e, assim, devolvermos ao homem sua condição se Sagrado, consequentemente, elegeríamos um modo mais compassivo de vivenciar as relações, a vida, pois, como manifestações do Amor, ou de Deus, jamais poderíamos violar o Sagrado.

Assim, uma revisão do homem e se sua natureza se faz emergencial, pois se partimos da perspectiva que estamos plasmando nossa biologia a partir do autoconceito, inclusive, impresso no inconsciente individual e coletivo, ou campos mórficos, necessitamos, urgentemente, atuar por meio de uma medicina perceptiva que nos permite a elevação de nossa autoimagem e autoconcepção para permitirmos o irromper do Espírito que habita nossa fisiologia oculta, nosso cosmos interior.

Quem se eleva… àquilo que une o ser humano ao espírito começa a vivificar em si o que nele é eterno, Rudolf Steiner.

Assim, “Se Teus Olhos Forem Bons, todo o teu Corpo terá Luz”. Jesus.

Talvez possamos iniciar o deflagrar de uma nova Terra desimaginando e desinformando aquilo que não somos, a partir do Íntimo, de quem Somos, em Verdade, eis os Bons Olhos, olhos espirituais, que atuam espontaneamente sob a regência do Espírito, em nós, atuando através da consciência imaginal, intuitiva e inspirativa, que representa sairmos desta espécie de amnesia espiritual, pois o `retorno à Casa do Pai` é lembrarmos que nunca saímos do Pai. E então: A solução nesses campos de atuação requer não apenas um novo paradigma, mas também uma mudança de perspectiva no modo como vivenciamos a nós mesmos, em quem concebemos e imaginamos que somos.

REFERÊNCIAS

AUROBINDO, Sri. A vida divina: uma visão da evolução espiritual da humanidade. Tradução Aryamani. São Paulo: Pensamento, 2018.

BRADEN, Gregg. A cura espontânea pela crença: quebre o paradigma dos falsos limites materiais da consciência e crie verdadeiros milagres em sua vida. Tradução Newton Roberval Eichenberg. São Paulo: Editora Cultrix, 2023.

BRADEN, Gregg. O código de Deus: o segredo do nosso passado, a promessa do nosso futuro. Tradução Carlos Augusto Leuba Salum e Ana Lucia da Rocha Franco. São Paulo: Cultrix, 2006.

BRADEN, Gregg. O mistério por trás das nossas origens: uma jornada para além da teoria da evolução. Tradução Mário Molina. São Paulo: Editora Pensamento, 2021.

DIDIER, Pierre-Paul. Do 1º ao 10º milheiro. 1. ed. Votuporanga, SP: Casa Editora Espírita “Pierre-Paul Didier”, 2001.

GLEBER, Joseph (Espírito). A alma da medicina. Psicografado por Robson Pinheiro. Contagem, MG: Casa dos Espíritos Editora, 2014.

LE SHAN, Lawrence. O médium, o místico e o físico: por uma teoria geral da paranormalidade. Tradução Carlos Eugênio Marcondes de Moura. São Paulo: Summus, 1994.

LIPTON, Bruce H. A biologia da crença: ciência e espiritualidade na mesma sintonia. Tradução Yma Vick. São Paulo: Petit Editora e Distribuidora Ltda., 2007.

PINTO, Wilson Vasconcelos et al. A face oculta da medicina. Rio de Janeiro: Educandário Social Lar de Frei Luiz, 2015.

ROHDEN, Huberto. A arte de curar pelo espírito. São Paulo: Editora Martin Claret, 2004.

SHELDRAKE, Rupert. A ciência da prática espiritual: experiências transformadoras, seus efeitos e sua eficácia em nosso corpo, no cérebro e na saúde. Tradução Jeferson Luiz Camargo. São Paulo: Editora Pensamento-Cultrix, 2021.

STEINER, Rudolf. A fisiologia oculta: nove conferências, proferidas em Praga de 20 a 28 de março de 1911. Tradução Sonia Setzer. São Paulo: Antroposófica, 1995.

TALBOT, Michael. O universo holográfico. Tradução Renata Curi. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1991.

UBALDI, Pietro. Ascese mística. Tradução Rubens C. Romanelli, Clóvis Tavares e Jerônimo Monteiro. Campos dos Goytacazes: Instituto Pietro Ubaldi, 2019.


[1] CAPRA, Fritjof: O Ponto de mutação. Ed. Cultrix, São Paulo/SP, 2006. Pág. 50